HOMO SAPIENS 1900. Direção: Peter Cohen. First Run/Icarus Films, 1998. 88 min.
Peter Cohen nasceu na Suécia em março de 1946. O fato de ser filho de um judeu alemão que fugiu de Berlim, escapando da perseguição nazista, é decisivo para sua obra. Produziu mais de quarenta documentários e filmes, com destaque a Arquitetura da Destruição.
Em Homo Sapiens 1900, Cohen mostra como a vontade de melhorar, que sempre moveu o homem ao longo da história, adquiriu faces horrendas em nome da eugenia, em outras palavras, o aperfeiçoamento do homem por meio da genética. Essa idéia, datada de 1900, iria ficar para sempre manchada na memória do século XX.
O conceito de higiene racial, inaugurado por Ploetz, começou a ganhar popularidade já no início do século XX. Baseado na observação de que deveria haver um controle da seleção natural, indicava dois caminhos a serem seguidos: cruzar os considerados superiores entre si, ou impedir que raças inferiores se reproduzissem. Foi assim que, escolhendo o segundo caminho, países como os EUA e a Suécia defenderam leis de esterilização a fim de “limpar” as pessoas que não se enquadravam em seus ideais de raça.
Na Alemanha, o Partido Nacional Socialista foi o primeiro a adotar a higiene racial como ponto central de seu programa. Acreditavam que o bem-estar da sociedade moderna dependia da qualidade do sangue e da raça. Como a eugenia positiva não funcionou por entrar diretamente em contradição com a defesa da união da família, optou-se por um programa de exclusão dos julgados mental ou fisicamente inferiores.
É importante destacar que as idéias baseadas na eugenia migraram de um conceito da biologia para o da política e da antropologia, e ao serem colocados em prática causaram estragos maiores do que talvez seus defensores poderiam ter imaginado inicialmente.
domingo, 6 de abril de 2008
Resumo Texto Nº 3
PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo: Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p. 335-361.
Para alguns autores, os movimentos iniciais representam os “fascismos puros”, enquanto que os que efetivamente chegaram ao poder foram deformados pela ampla teia de conciliações necessárias para se chegar a essa posição. Ademais, os regimes tiveram mais impacto pelo poder de decisão que concentravam. Para melhor entender o que foi o fascismo, então, devemos vê-lo como uma rede de relações ativa.
Interpretações conflitantes
O autor aponta diversas interpretações do fascismo, apontando suas falhas e as razões pelas quais não permitem a construção de um modelo satisfatório.
As imagens que fazem do fascismo não conseguem explicar porque se deu em um determinado lugar e uma determinada época, e nem se estão relacionados a uma história anterior. Somente levam em consideração que é uma ação perversa de rufiões que chegaram ao poder em razão da decadência moral.
Já a visão do fascismo como instrumento do capitalismo traz duas conclusões erradas:
1- A terceira Internacional de Stálin negava suas raízes autônomas e seu poder de agitação das massas, além de excluir o fator escolha humana desse somatório de forças. Os marxistas ortodoxos reduziam os movimentos a um simples desdobramento de uma crise capitalista. Na verdade, sabe-se que, quando a escolha pela democracia era impossível, os capitalistas preferiam os regimes autoritários aos fascistas, se adaptando (se acomodando) a estes da melhor maneira que podiam, já que se tornava o único caminho não-socialista no momento;
2- Coloca a comunidade empresarial no papel de vítima do fascismo, levando a sério demais os conflitos entre os escalões médios.
Uma outra forma de ver o fascismo foi a busca por interpretações psicológicas devido ao caráter obsessivo dos líderes ou dos fiéis. No entanto, não explicam, se de fato alguns líderes eram loucos, como se sustentaram no poder por tanto tempo, ou como as pessoas comuns se adaptaram ao regime na sua vida cotidiana.
Uma explicação que perdurou por muito tempo foi a do fascismo como fenômeno da modernização. Talcott Parsons acreditava que o fascismo era fruto das tensões de classe oriundas de um desenvolvimento desigual em sociedades de modernização tardia. Assim como os marxistas, tratou o tema como produto da história. Não obstante, uma economia “dual” (setor camponês e artesãos trabalhando paralelamente a uma indústria moderna) ocorreu na França sem a emergência do fascismo.
Outro enfoque do tipo sociológico foi o de ver no nivelamento urbano e industrial, a partir de fins do século XIX, a causa da produção de uma sociedade de massas atomizada. Hannah Arendt entende a questão a partir das massas desenraizadas, que por não terem vínculos morais de qualquer espécie e alimentarem paixões anti-semitas e imperiais, possibilitaram uma ditadura plebiscitária de poderes ilimitados. Contudo, estudos comprovam que um dos principais meios que o nazismo utilizou para lançar raízes foi o apelo ao recrutamento de organizações.
Há alguns estudiosos que propõe o modelo de ditadura desenvolvimentista, cujo principal objetivo era acelerar o crescimento industrial através do recrutamento de mão-de-obra. O grande problema dessa visão é que o fascismo não seguia um objetivo racional.
Outra explicação corrente é a de que o fascismo surgiu por causa de ressentimentos da classe média inferior, sendo classificado com um “extremismo do centro”. As falhas dessa explicação residem no fato de que o recrutamento não se localizava em apenas uma classe, e sim numa multiplicidade de apoio social. Prova disso foram as flutuações no nº de afiliados do partido nazista antes que chegasse ao poder.
Ainda que consideremos todas essas visões, numerosos observadores consideram o fascismo como um tipo de totalitarismo. O termo foi assumido por Mussolini no sentido de designar as aspirações fascistas ao controle total. Os teóricos de 1950 viam em Hitler e Stálin as figuras-chave desse sistema, pois ambos governos eram de partido único, usavam um controle oficial terrorista e tinham o monopólio de poder das forças armadas, dos meios de comunicação e da organização econômica. Nos anos 1960, esses teóricos foram acusados de estarem transferindo o inimigo do nazismo para o comunismo. Após a queda da URSS, no entanto, o modelo voltou à moda. O enfoque está na aspiração de ambos ao controle total e nas ferramentas para se chegar a esse controle. Todavia, apesar de que os mecanismos de controle tenham sido semelhantes, os objetivos não foram. Enquanto Stálin governava uma sociedade civil e não tinha que disputar politicamente com poderes herdados, e tinha como objetivo a igualdade universal, Hitler dependia das elites tradicionais, e seu fim era a supremacia da raça ariana. Esse modelo leva a uma comparação moral entre os dois regimes e deixa de lado a natureza caótica do poder.
A tentativa de ver os regimes como uma religião política parte da proposição de querer entender a maneira como mobilizavam os fiéis. Esse conceito tem três falhas primordiais:
1- O fato de se aproximarem por utilizar ritos e palavras sagradas, não admitindo cisões, pode ser explicado na apropriação de elementos da própria cultura da sociedade que os fascistas desejavam conquistar;
2- Quer que acreditemos que a lacuna deixada pela secularização da sociedade e da moral
foi mais severa na Alemanha que em outros países europeus, coisa difícil de acreditar.
3- Encara as religiões estabelecidas e o fascismo como adversários irreconciliáveis, mesmo que as religiões e os regimes tenham se associado contra o comunismo, ou, em casos como o da Romênia, tenha se firmado como um substituto cristão não-autorizado.
Trabalhar o fascismo como uma ideologia, problema já discutido na Introdução, parte do princípio de que suas idéias foram extraídas de programas partidários, assim como foi feito em outros “ismos”, que partiam de uma elite culta. No entanto, esse tipo de posição intelectual foi abandonado em detrimento do que o regime necessitava em cada momento, sem que se justificasse as alterações feitas.
Além do olhar sociológico, o olhar antropológio/etnográfico adentrou o fascismo. Os estudos culturais vêm substituindo a história intelectual como meio de entender a atração que o fascismo exercia sobre as massas. Contudo, não conseguem explicar como os fascistas chegaram a controlar a cultura, até que ponto influenciaram as pessoas ou porque se sobrepuseram ao poder da mídia comercial, bem maior Ademais, é difícil reunir tantas culturas nacionais diferentes em um único programa cultural.
Como pode ser visto nas análises acima, todas as interpretações até agora foram insatisfatórias na tarefa de fornecer um modelo não estático do fascismo.
Fronteiras
O autor defende que é necessário traçar fronteiras claras entre o fascismo e outras formas assemelhadas, tarefa que se torna ainda mais difícil em razão das imitações que esse regime sofreu, principalmente na década de 1930.
Gaetano Salvemini defende que o fascismo, típico das democracias fracassadas, em vez de manter as massas em silêncio, “encontrou uma técnica para canalizar suas paixões para a construção de uma unidade doméstica compulsória” (p.354). Por esse motivo, não devemos confundir fascismo com a tirania das ditaduras pré-democráticas.
Às ditaduras militares falta a excitação do povo, mesmo que tenham em comum a militarização das sociedades. Já o autoritarismo (ou ditadura tradicional), tem fronteiras mais sutis com o fascismo. Ambos desrespeitam as liberdades civis e desejam um Estado forte, porém o autoritarismo limita a ação do Estado, além de não querer acabar totalmente com a esfera do privado.
Quanto à Espanha, Portugal e França, pode se dizer que:
1- O Estado do General Francisco Franco imitou alguns aspectos do governo de seu aliado Mussolini, porém intervinha pouco na economia e prezava pela passividade do povo;
2- O Estado Novo de Salazar era limitado e preferia um público passivo, em que o poder ainda se mantinha nas mãos dos proprietários de terras, Igreja e exército;
3- O governo de Vichy não era de partido único e nem possuía organizações paralelas (só foram surgir na luta contra a Resistência), e conferia poder a militares, à Igreja e às elites econômicas já estabelecidas. Segundo Paxton, se enquadra na categoria de autoritário.
O que é o fascismo?
O fascismo deve ser definido como uma forma política permeada por uma visão obsessiva de decadência e humilhação da comunidade, tida como vítima. Por essa razão, “passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza” (p. 359). Por não apresentar uma ideologia dogmática, mesmo que seus representantes tivessem um objetivo, é essencial estudar as ações fascistas para entender quais as idéias que se encontram por trás desse pensamento. É nesse sentido que os nove tópicos que o autor define como “sentimentos viscerais” ou “paixões mobilizadoras” representam um resumo do que seria o típico comportamento e sentimento fascista.
É importante frisar que em todos os países democráticos existe o fascismo no estágio 1, no entanto foram poucos os que alcançaram o estágio 2. Vale lembrar que são as decisões humanas que mudam o rumo da história, impedindo que movimentos e regimes como os estudados cheguem ao poder. A escolha certa vai depender sempre da compreensão dos erros do passado por parte dos que detêm o poder político, econômico e social.
Para alguns autores, os movimentos iniciais representam os “fascismos puros”, enquanto que os que efetivamente chegaram ao poder foram deformados pela ampla teia de conciliações necessárias para se chegar a essa posição. Ademais, os regimes tiveram mais impacto pelo poder de decisão que concentravam. Para melhor entender o que foi o fascismo, então, devemos vê-lo como uma rede de relações ativa.
Interpretações conflitantes
O autor aponta diversas interpretações do fascismo, apontando suas falhas e as razões pelas quais não permitem a construção de um modelo satisfatório.
As imagens que fazem do fascismo não conseguem explicar porque se deu em um determinado lugar e uma determinada época, e nem se estão relacionados a uma história anterior. Somente levam em consideração que é uma ação perversa de rufiões que chegaram ao poder em razão da decadência moral.
Já a visão do fascismo como instrumento do capitalismo traz duas conclusões erradas:
1- A terceira Internacional de Stálin negava suas raízes autônomas e seu poder de agitação das massas, além de excluir o fator escolha humana desse somatório de forças. Os marxistas ortodoxos reduziam os movimentos a um simples desdobramento de uma crise capitalista. Na verdade, sabe-se que, quando a escolha pela democracia era impossível, os capitalistas preferiam os regimes autoritários aos fascistas, se adaptando (se acomodando) a estes da melhor maneira que podiam, já que se tornava o único caminho não-socialista no momento;
2- Coloca a comunidade empresarial no papel de vítima do fascismo, levando a sério demais os conflitos entre os escalões médios.
Uma outra forma de ver o fascismo foi a busca por interpretações psicológicas devido ao caráter obsessivo dos líderes ou dos fiéis. No entanto, não explicam, se de fato alguns líderes eram loucos, como se sustentaram no poder por tanto tempo, ou como as pessoas comuns se adaptaram ao regime na sua vida cotidiana.
Uma explicação que perdurou por muito tempo foi a do fascismo como fenômeno da modernização. Talcott Parsons acreditava que o fascismo era fruto das tensões de classe oriundas de um desenvolvimento desigual em sociedades de modernização tardia. Assim como os marxistas, tratou o tema como produto da história. Não obstante, uma economia “dual” (setor camponês e artesãos trabalhando paralelamente a uma indústria moderna) ocorreu na França sem a emergência do fascismo.
Outro enfoque do tipo sociológico foi o de ver no nivelamento urbano e industrial, a partir de fins do século XIX, a causa da produção de uma sociedade de massas atomizada. Hannah Arendt entende a questão a partir das massas desenraizadas, que por não terem vínculos morais de qualquer espécie e alimentarem paixões anti-semitas e imperiais, possibilitaram uma ditadura plebiscitária de poderes ilimitados. Contudo, estudos comprovam que um dos principais meios que o nazismo utilizou para lançar raízes foi o apelo ao recrutamento de organizações.
Há alguns estudiosos que propõe o modelo de ditadura desenvolvimentista, cujo principal objetivo era acelerar o crescimento industrial através do recrutamento de mão-de-obra. O grande problema dessa visão é que o fascismo não seguia um objetivo racional.
Outra explicação corrente é a de que o fascismo surgiu por causa de ressentimentos da classe média inferior, sendo classificado com um “extremismo do centro”. As falhas dessa explicação residem no fato de que o recrutamento não se localizava em apenas uma classe, e sim numa multiplicidade de apoio social. Prova disso foram as flutuações no nº de afiliados do partido nazista antes que chegasse ao poder.
Ainda que consideremos todas essas visões, numerosos observadores consideram o fascismo como um tipo de totalitarismo. O termo foi assumido por Mussolini no sentido de designar as aspirações fascistas ao controle total. Os teóricos de 1950 viam em Hitler e Stálin as figuras-chave desse sistema, pois ambos governos eram de partido único, usavam um controle oficial terrorista e tinham o monopólio de poder das forças armadas, dos meios de comunicação e da organização econômica. Nos anos 1960, esses teóricos foram acusados de estarem transferindo o inimigo do nazismo para o comunismo. Após a queda da URSS, no entanto, o modelo voltou à moda. O enfoque está na aspiração de ambos ao controle total e nas ferramentas para se chegar a esse controle. Todavia, apesar de que os mecanismos de controle tenham sido semelhantes, os objetivos não foram. Enquanto Stálin governava uma sociedade civil e não tinha que disputar politicamente com poderes herdados, e tinha como objetivo a igualdade universal, Hitler dependia das elites tradicionais, e seu fim era a supremacia da raça ariana. Esse modelo leva a uma comparação moral entre os dois regimes e deixa de lado a natureza caótica do poder.
A tentativa de ver os regimes como uma religião política parte da proposição de querer entender a maneira como mobilizavam os fiéis. Esse conceito tem três falhas primordiais:
1- O fato de se aproximarem por utilizar ritos e palavras sagradas, não admitindo cisões, pode ser explicado na apropriação de elementos da própria cultura da sociedade que os fascistas desejavam conquistar;
2- Quer que acreditemos que a lacuna deixada pela secularização da sociedade e da moral
foi mais severa na Alemanha que em outros países europeus, coisa difícil de acreditar.
3- Encara as religiões estabelecidas e o fascismo como adversários irreconciliáveis, mesmo que as religiões e os regimes tenham se associado contra o comunismo, ou, em casos como o da Romênia, tenha se firmado como um substituto cristão não-autorizado.
Trabalhar o fascismo como uma ideologia, problema já discutido na Introdução, parte do princípio de que suas idéias foram extraídas de programas partidários, assim como foi feito em outros “ismos”, que partiam de uma elite culta. No entanto, esse tipo de posição intelectual foi abandonado em detrimento do que o regime necessitava em cada momento, sem que se justificasse as alterações feitas.
Além do olhar sociológico, o olhar antropológio/etnográfico adentrou o fascismo. Os estudos culturais vêm substituindo a história intelectual como meio de entender a atração que o fascismo exercia sobre as massas. Contudo, não conseguem explicar como os fascistas chegaram a controlar a cultura, até que ponto influenciaram as pessoas ou porque se sobrepuseram ao poder da mídia comercial, bem maior Ademais, é difícil reunir tantas culturas nacionais diferentes em um único programa cultural.
Como pode ser visto nas análises acima, todas as interpretações até agora foram insatisfatórias na tarefa de fornecer um modelo não estático do fascismo.
Fronteiras
O autor defende que é necessário traçar fronteiras claras entre o fascismo e outras formas assemelhadas, tarefa que se torna ainda mais difícil em razão das imitações que esse regime sofreu, principalmente na década de 1930.
Gaetano Salvemini defende que o fascismo, típico das democracias fracassadas, em vez de manter as massas em silêncio, “encontrou uma técnica para canalizar suas paixões para a construção de uma unidade doméstica compulsória” (p.354). Por esse motivo, não devemos confundir fascismo com a tirania das ditaduras pré-democráticas.
Às ditaduras militares falta a excitação do povo, mesmo que tenham em comum a militarização das sociedades. Já o autoritarismo (ou ditadura tradicional), tem fronteiras mais sutis com o fascismo. Ambos desrespeitam as liberdades civis e desejam um Estado forte, porém o autoritarismo limita a ação do Estado, além de não querer acabar totalmente com a esfera do privado.
Quanto à Espanha, Portugal e França, pode se dizer que:
1- O Estado do General Francisco Franco imitou alguns aspectos do governo de seu aliado Mussolini, porém intervinha pouco na economia e prezava pela passividade do povo;
2- O Estado Novo de Salazar era limitado e preferia um público passivo, em que o poder ainda se mantinha nas mãos dos proprietários de terras, Igreja e exército;
3- O governo de Vichy não era de partido único e nem possuía organizações paralelas (só foram surgir na luta contra a Resistência), e conferia poder a militares, à Igreja e às elites econômicas já estabelecidas. Segundo Paxton, se enquadra na categoria de autoritário.
O que é o fascismo?
O fascismo deve ser definido como uma forma política permeada por uma visão obsessiva de decadência e humilhação da comunidade, tida como vítima. Por essa razão, “passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza” (p. 359). Por não apresentar uma ideologia dogmática, mesmo que seus representantes tivessem um objetivo, é essencial estudar as ações fascistas para entender quais as idéias que se encontram por trás desse pensamento. É nesse sentido que os nove tópicos que o autor define como “sentimentos viscerais” ou “paixões mobilizadoras” representam um resumo do que seria o típico comportamento e sentimento fascista.
É importante frisar que em todos os países democráticos existe o fascismo no estágio 1, no entanto foram poucos os que alcançaram o estágio 2. Vale lembrar que são as decisões humanas que mudam o rumo da história, impedindo que movimentos e regimes como os estudados cheguem ao poder. A escolha certa vai depender sempre da compreensão dos erros do passado por parte dos que detêm o poder político, econômico e social.
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