quinta-feira, 15 de maio de 2008
Resumo Texto nº6
Segundo Bauman, é impossível continuarmos a “fingir que temos pleno alcance do funcionamento de nossas instituições sociais, estruturas burocráticas e tecnologia” (p.106) após os acontecimentos de Auschwitz. Apesar de a vida estar melhorando e as instituições parecerem estáveis, a possibilidade do Holocausto ainda não foi eliminada. Em 1941 também, não se esperava o Holocausto, mas depois de um ano, e para a incredulidade de todos, o inimaginável ocorreu. A diferença entre 1941 e hoje é que sabemos que o “inimaginável deve ser imaginado” (p. 108).
O Problema
O Holocausto não deve ser visto somente como um assunto de interesse acadêmico. Primeiro porque, ainda que mudou o curso da história, não mudou nas mesmas proporções nossa consciência de civilização moderna, o que significa que podemos ainda estar despreparados para reconhecer os sinais de alerta. Ademais, parece que as condições que originaram o Holocausto ainda estão presentes, ainda mais se pensarmos na falta de limite ético-moral do Estado moderno.
A principal causa de preocupação é o fato de que foi a própria civilização moderna e suas conquistas que propiciaram o Holocausto, e, mais assustadoramente, as redes de controle e equilíbrio que o processo civilizador construiu, muito hábeis em promover um senso de segurança, se mostraram ineficazes em evitá-lo.
Genocídio Adicional
O assassinato em massa não é uma invenção moderna e, portanto, a modernidade, mesmo que trouxesse em seu projeto um fim à desumanidade do homem, não é responsável pelo Holocausto. No entanto, a civilização moderna teve um papel ativo em sua extensão, o que, em outras palavras, significa que o Holocausto foi tanto um produto como um fracasso da modernidade. O assassinato em massa foi singular no sentido de sua escala, pois por mais que os assassinatos sejam baseados na fúria e na raiva, e por isso mesmo incapazes de continuarem por muito tempo, a quantidade de pessoas mortas e em tão pequeno espaço de tempo foi única. O projeto levado a cabo por Hitler pressupõe nenhuma espontaneidade e cálculo racional e meticuloso. O extermínio do inimigo passa de um fim a um meio para se chegar ao fim em si, sendo este a construção de uma sociedade melhor. Nesse sentido, nos genocídios modernos, a sociedade deve ser sempre pensada a partir de um plano com bases científicas e com ideais de aspiração a uma beleza superior. A nova sociedade deve ser ordeira, racional, absolutamente controlada e perfeita. É só no momento em que o impulso em direção a esse mundo artificialmente harmonioso não é mais controlado que o Holocausto se torna um subproduto da modernidade.
Peculiaridade do genocídio moderno
O Holocausto é único devido a duas razões: porque é único em relação a outros casos de genocídio e porque só é possível quando se conjugam certos fatores comuns próprios da sociedade moderna. Ao mesmo tempo em que é normal, é também um evento singular. Dentre os fatores que contribuíram para a produção do Holocausto se encontram o anti-semitismo radical nazista, a transformação desse fator na política de um Estado centralizado, a existência de um aparato burocrático eficiente e a não-interferência da população. A conduta humana, ao longo do processo civilizador, pode conceber uma escala de desumanidade e destruição inconcebível enquanto os homens eram guiados apenas pelas predisposições naturais. A sociedade polida, gentil, civilizada, é aquela em que a violência é removida da vida cotidiana e, assim, concentra-se em outros lugares em que é aperfeiçoada, transformando-se em técnica racional.
Efeitos da divisão hierárquica e funcional do trabalho
A violência se torna mais eficiente à medida que os meios se tornam mais instrumentais e racionais, ou seja, afastados de uma avaliação moral dos fins. Tal divisão é fruto de dois processos: a meticulosa divisão do trabalho e a substituição da responsabilidade moral pela técnica, que se dão através do distanciamento do produto final criado a partir da divisão funcional do trabalho. A função, por si mesma, não tem significado, restando a “outros” a responsabilidade pelo significado. O resultado disso é a dissociação dos padrões morais e a operação burocrática.
Desumanização dos objetos burocráticos
Os objetos em questão na ação burocrática são reduzidos a um conjunto de medidas, desprovidos de qualidade, perdendo, assim, sua identidade. Quando o processo de desumanização é efetivado, aos objetos não é mais reconhecido demandas morais, levando a serem encarados como incômodos.
O papel da burocracia no Holocausto
A burocracia perde de vista o objetivo original e se concentra nos meios, os quais transformam em fins com o objetivo de criar uma ordem social melhor e mais racional.
Falência das salvaguardas modernas
A violência é vista como uma forma de se fazer a segurança, posto que ao concentrar-se às margens da sociedade moderna, armazena-se ao ponto de ficar incontrolável. Nesse sentido, a confiança nas salvaguardas é posta em jogo, e os princípios da ciência moderna assumem lugar de ideologia nas mãos do Estado. O culto da racionalidade é o único que pode substituir a religião e a ética para ordenar o comportamento humano.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Resumo Texto nº5
I
O alinhamento anômalo de Estados e movimentos contra a ideologia alemã, pilar central da aliança entre Alemanha, Itália e Japão, os ditos países do Eixo, foi uma situação que durou de 1939-1945, em outras palavras, existiu durante a ascensão e queda da Alemanha de Hitler. Enquanto o delineamento das linhas que dividiam a guerra foi deixado de lado, cada país resolvia as coisas de acordo com seus interesses (Realpolitik). Os Estados democráticos liberais, Estados vitoriosos da 1ª Guerra Mundial, evidenciavam sua incapacidade de agir contra o inimigo, em parte pela lembrança ainda recente da 1ª GM. A URSS, no entanto, não hesitou em opor-se à Alemanha nazista, o que contribuiu para um choque ainda maior quando da assinatura do pacto. É importante frisar, no entanto, que as linhas divisórias da guerra eram em função de famílias ideológicas: de um lado os descendentes do Iluminismo, e do outro seus adversários. Nesse sentido, ela foi internacional porque originou as mesmas questões na maioria dos países ocidentais, e civil, pois as linhas cortavam cada sociedade.
II
A união das forças políticas de resistência ao Eixo demorou mais de oito anos para ser alcançada, em parte pelo medo que alguns ainda conservavam da idéia do bolchevismo como inimigo primeiro. Essa demora em unir-se contra o inimigo comum explica o porquê de Stálin ter assinado o Pacto Stalin-Ribbentrop de agosto de 1939. França e Inglaterra sabiam só possuir um status quo instável, portanto não lhes era viável começar uma guerra. A solução era, em princípio, negociar com a Alemanha e fazer concessões, se necessário, nos moldes da política de “apaziguamento”. Entretanto, a negociação se mostrou impossível pelo caráter irracional e ilimitado dos objetivos políticos do inimigo, o que originou a exclusão da realpolitik como ferramenta. Ainda que os realistas políticos do apaziguamento continuassem tentando negociar, a política de Hitler após Munique impossibilitou outra saída senão uma guerra que ninguém queria. No final, foi Hitler quem mobilizou contra si as massas. Os comunistas funcionavam de forma sistemática: criaram Frentes Populares, uma aliança eleitoral e política com os democratas e liberais; foram hábeis em organizar os adversários tradicionais da direita; e mobilizaram em massa os intelectuais. O mais difícil, porém, era mobilizar os cidadãos comuns, uma vez que viam as barbaridades da Alemanha como “aberrações limitadas”, na pior das hipóteses, ou simplesmente como um país estável com um governo popular um pouco antipático.
III
A Guerra Civil Espanhola (1936-39) foi uma versão em miniatura de uma guerra européia. Foi nela que as disputas transnacionais se evidenciaram e que os dois campos de combate se definiram: democracia e revolução social contra reação inspirada pela Igreja Católica. Quando a esquerda descobre a Frente Popular do Comintern e ganha as eleições em fevereiro de 1936, a fermentação social ganha vida e a insatisfação social pode finalmente jorrar. Resultado disso foi o golpe militar de 17 de julho dado pela Falange, um pequeno movimento fascista local de generais financiado pela Itália, pela Igreja e por monarquistas. O golpe não teve êxito em todas as cidades, e enfrentou grande resistência que ocasionou uma guerra civil entre a República (governo de direito) e os generais insurgentes, cujo líder era Francisco Franco. Ao longo da guerra, o governo franquista se impôs como um Estado autoritário de partido único, a Falange Tradicionalista Espanhola. Apesar do Acordo de Não-Intervenção, Itália e Alemanha enviaram armas e homens em ajuda a Franco, enquanto que milhares de voluntários lutaram numa guerra que tomaram como própria.
IV
A Guerra Civil Espanhola antecipou as forças que destruiriam o fascismo, a aliança única de frentes nacionais para a derrota do inimigo comum e para a regeneração social (exemplo disso foi o governo de Winston Churchill, que se comprometeu com um Estado de bem-estar durante a guerra). A maioria dos governos fez um esforço intelectual para aprender o que haviam feito de errado e evitar que o erro se repetisse. E, com razão, após a vitória, todos os governos eram representativos das forças antifascistas que haviam lutado unidas. A questão central se tornaria a defesa da democracia.
V
Com a entrada dos EUA na guerra, uma aliança firmou-se entre os norte-americanos e a URSS, entre o capitalismo e o comunismo. Os movimentos de Resistência tinham pouca importância militar, restando em seu significado político e moral a sua maior força. Pendiam para a esquerda, o que justifica o aumento expressivo de votos para os partidos comunistas, corpo especialista de “revolucionários profissionais” que se dedicavam apaixonadamente às suas causas.
VII
“...para a maior parte da Ásia , África e o mundo islâmico, o fascismo, como ideologia ou como política de um Estado agressor, não era e jamais se tornou o principal e muito menos o único inimigo. Este era o ‘imperialismo’ ou o ‘colonialismo’...” (p.171). A luta contra o fascismo causou muitas contradições nesses países. O Japão, por exemplo, foi por vezes considerado um defensor dos não-brancos contra o imperialismo dos brancos; quanto aos comunistas de países como Índia e Vietnã, ora lutavam contra o imperialismo (pacto URSS-Alemanha), ora tinham que defender o comunismo em detrimento da independência de seu povo, estratégia que se mostrou bastante impopular. Já um grupo de judeus na Palestina foi capaz de negociar a libertação dos britânicos com os alemães. Tais questões não demonstram uma simpatia pelo fascismo, e sim uma tática política. Com efeito, a maioria dos movimentos de libertação pendia para a esquerda internacional.
VIII
A atração que o fascismo exerceu não ultrapassou seus limites originais à guerra. O que realmente mudou foi a suscetibilidade ao socialismo na qual grande parte da Europa se encontrava após a guerra. No entanto, não tardou muito para que a política voltasse a se desenrolar como antes: o projeto de união não havia sido feito para durar. Apesar de que quase todos agora se voltassem a uma economia administrada pelo Estado, capitalismo e comunismo estavam preparados para se enfrentar novamente.
domingo, 6 de abril de 2008
Resenha Homo Sapiens 1900
Peter Cohen nasceu na Suécia em março de 1946. O fato de ser filho de um judeu alemão que fugiu de Berlim, escapando da perseguição nazista, é decisivo para sua obra. Produziu mais de quarenta documentários e filmes, com destaque a Arquitetura da Destruição.
Em Homo Sapiens 1900, Cohen mostra como a vontade de melhorar, que sempre moveu o homem ao longo da história, adquiriu faces horrendas em nome da eugenia, em outras palavras, o aperfeiçoamento do homem por meio da genética. Essa idéia, datada de 1900, iria ficar para sempre manchada na memória do século XX.
O conceito de higiene racial, inaugurado por Ploetz, começou a ganhar popularidade já no início do século XX. Baseado na observação de que deveria haver um controle da seleção natural, indicava dois caminhos a serem seguidos: cruzar os considerados superiores entre si, ou impedir que raças inferiores se reproduzissem. Foi assim que, escolhendo o segundo caminho, países como os EUA e a Suécia defenderam leis de esterilização a fim de “limpar” as pessoas que não se enquadravam em seus ideais de raça.
Na Alemanha, o Partido Nacional Socialista foi o primeiro a adotar a higiene racial como ponto central de seu programa. Acreditavam que o bem-estar da sociedade moderna dependia da qualidade do sangue e da raça. Como a eugenia positiva não funcionou por entrar diretamente em contradição com a defesa da união da família, optou-se por um programa de exclusão dos julgados mental ou fisicamente inferiores.
É importante destacar que as idéias baseadas na eugenia migraram de um conceito da biologia para o da política e da antropologia, e ao serem colocados em prática causaram estragos maiores do que talvez seus defensores poderiam ter imaginado inicialmente.
Resumo Texto Nº 3
Para alguns autores, os movimentos iniciais representam os “fascismos puros”, enquanto que os que efetivamente chegaram ao poder foram deformados pela ampla teia de conciliações necessárias para se chegar a essa posição. Ademais, os regimes tiveram mais impacto pelo poder de decisão que concentravam. Para melhor entender o que foi o fascismo, então, devemos vê-lo como uma rede de relações ativa.
Interpretações conflitantes
O autor aponta diversas interpretações do fascismo, apontando suas falhas e as razões pelas quais não permitem a construção de um modelo satisfatório.
As imagens que fazem do fascismo não conseguem explicar porque se deu em um determinado lugar e uma determinada época, e nem se estão relacionados a uma história anterior. Somente levam em consideração que é uma ação perversa de rufiões que chegaram ao poder em razão da decadência moral.
Já a visão do fascismo como instrumento do capitalismo traz duas conclusões erradas:
1- A terceira Internacional de Stálin negava suas raízes autônomas e seu poder de agitação das massas, além de excluir o fator escolha humana desse somatório de forças. Os marxistas ortodoxos reduziam os movimentos a um simples desdobramento de uma crise capitalista. Na verdade, sabe-se que, quando a escolha pela democracia era impossível, os capitalistas preferiam os regimes autoritários aos fascistas, se adaptando (se acomodando) a estes da melhor maneira que podiam, já que se tornava o único caminho não-socialista no momento;
2- Coloca a comunidade empresarial no papel de vítima do fascismo, levando a sério demais os conflitos entre os escalões médios.
Uma outra forma de ver o fascismo foi a busca por interpretações psicológicas devido ao caráter obsessivo dos líderes ou dos fiéis. No entanto, não explicam, se de fato alguns líderes eram loucos, como se sustentaram no poder por tanto tempo, ou como as pessoas comuns se adaptaram ao regime na sua vida cotidiana.
Uma explicação que perdurou por muito tempo foi a do fascismo como fenômeno da modernização. Talcott Parsons acreditava que o fascismo era fruto das tensões de classe oriundas de um desenvolvimento desigual em sociedades de modernização tardia. Assim como os marxistas, tratou o tema como produto da história. Não obstante, uma economia “dual” (setor camponês e artesãos trabalhando paralelamente a uma indústria moderna) ocorreu na França sem a emergência do fascismo.
Outro enfoque do tipo sociológico foi o de ver no nivelamento urbano e industrial, a partir de fins do século XIX, a causa da produção de uma sociedade de massas atomizada. Hannah Arendt entende a questão a partir das massas desenraizadas, que por não terem vínculos morais de qualquer espécie e alimentarem paixões anti-semitas e imperiais, possibilitaram uma ditadura plebiscitária de poderes ilimitados. Contudo, estudos comprovam que um dos principais meios que o nazismo utilizou para lançar raízes foi o apelo ao recrutamento de organizações.
Há alguns estudiosos que propõe o modelo de ditadura desenvolvimentista, cujo principal objetivo era acelerar o crescimento industrial através do recrutamento de mão-de-obra. O grande problema dessa visão é que o fascismo não seguia um objetivo racional.
Outra explicação corrente é a de que o fascismo surgiu por causa de ressentimentos da classe média inferior, sendo classificado com um “extremismo do centro”. As falhas dessa explicação residem no fato de que o recrutamento não se localizava em apenas uma classe, e sim numa multiplicidade de apoio social. Prova disso foram as flutuações no nº de afiliados do partido nazista antes que chegasse ao poder.
Ainda que consideremos todas essas visões, numerosos observadores consideram o fascismo como um tipo de totalitarismo. O termo foi assumido por Mussolini no sentido de designar as aspirações fascistas ao controle total. Os teóricos de 1950 viam em Hitler e Stálin as figuras-chave desse sistema, pois ambos governos eram de partido único, usavam um controle oficial terrorista e tinham o monopólio de poder das forças armadas, dos meios de comunicação e da organização econômica. Nos anos 1960, esses teóricos foram acusados de estarem transferindo o inimigo do nazismo para o comunismo. Após a queda da URSS, no entanto, o modelo voltou à moda. O enfoque está na aspiração de ambos ao controle total e nas ferramentas para se chegar a esse controle. Todavia, apesar de que os mecanismos de controle tenham sido semelhantes, os objetivos não foram. Enquanto Stálin governava uma sociedade civil e não tinha que disputar politicamente com poderes herdados, e tinha como objetivo a igualdade universal, Hitler dependia das elites tradicionais, e seu fim era a supremacia da raça ariana. Esse modelo leva a uma comparação moral entre os dois regimes e deixa de lado a natureza caótica do poder.
A tentativa de ver os regimes como uma religião política parte da proposição de querer entender a maneira como mobilizavam os fiéis. Esse conceito tem três falhas primordiais:
1- O fato de se aproximarem por utilizar ritos e palavras sagradas, não admitindo cisões, pode ser explicado na apropriação de elementos da própria cultura da sociedade que os fascistas desejavam conquistar;
2- Quer que acreditemos que a lacuna deixada pela secularização da sociedade e da moral
foi mais severa na Alemanha que em outros países europeus, coisa difícil de acreditar.
3- Encara as religiões estabelecidas e o fascismo como adversários irreconciliáveis, mesmo que as religiões e os regimes tenham se associado contra o comunismo, ou, em casos como o da Romênia, tenha se firmado como um substituto cristão não-autorizado.
Trabalhar o fascismo como uma ideologia, problema já discutido na Introdução, parte do princípio de que suas idéias foram extraídas de programas partidários, assim como foi feito em outros “ismos”, que partiam de uma elite culta. No entanto, esse tipo de posição intelectual foi abandonado em detrimento do que o regime necessitava em cada momento, sem que se justificasse as alterações feitas.
Além do olhar sociológico, o olhar antropológio/etnográfico adentrou o fascismo. Os estudos culturais vêm substituindo a história intelectual como meio de entender a atração que o fascismo exercia sobre as massas. Contudo, não conseguem explicar como os fascistas chegaram a controlar a cultura, até que ponto influenciaram as pessoas ou porque se sobrepuseram ao poder da mídia comercial, bem maior Ademais, é difícil reunir tantas culturas nacionais diferentes em um único programa cultural.
Como pode ser visto nas análises acima, todas as interpretações até agora foram insatisfatórias na tarefa de fornecer um modelo não estático do fascismo.
Fronteiras
O autor defende que é necessário traçar fronteiras claras entre o fascismo e outras formas assemelhadas, tarefa que se torna ainda mais difícil em razão das imitações que esse regime sofreu, principalmente na década de 1930.
Gaetano Salvemini defende que o fascismo, típico das democracias fracassadas, em vez de manter as massas em silêncio, “encontrou uma técnica para canalizar suas paixões para a construção de uma unidade doméstica compulsória” (p.354). Por esse motivo, não devemos confundir fascismo com a tirania das ditaduras pré-democráticas.
Às ditaduras militares falta a excitação do povo, mesmo que tenham em comum a militarização das sociedades. Já o autoritarismo (ou ditadura tradicional), tem fronteiras mais sutis com o fascismo. Ambos desrespeitam as liberdades civis e desejam um Estado forte, porém o autoritarismo limita a ação do Estado, além de não querer acabar totalmente com a esfera do privado.
Quanto à Espanha, Portugal e França, pode se dizer que:
1- O Estado do General Francisco Franco imitou alguns aspectos do governo de seu aliado Mussolini, porém intervinha pouco na economia e prezava pela passividade do povo;
2- O Estado Novo de Salazar era limitado e preferia um público passivo, em que o poder ainda se mantinha nas mãos dos proprietários de terras, Igreja e exército;
3- O governo de Vichy não era de partido único e nem possuía organizações paralelas (só foram surgir na luta contra a Resistência), e conferia poder a militares, à Igreja e às elites econômicas já estabelecidas. Segundo Paxton, se enquadra na categoria de autoritário.
O que é o fascismo?
O fascismo deve ser definido como uma forma política permeada por uma visão obsessiva de decadência e humilhação da comunidade, tida como vítima. Por essa razão, “passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza” (p. 359). Por não apresentar uma ideologia dogmática, mesmo que seus representantes tivessem um objetivo, é essencial estudar as ações fascistas para entender quais as idéias que se encontram por trás desse pensamento. É nesse sentido que os nove tópicos que o autor define como “sentimentos viscerais” ou “paixões mobilizadoras” representam um resumo do que seria o típico comportamento e sentimento fascista.
É importante frisar que em todos os países democráticos existe o fascismo no estágio 1, no entanto foram poucos os que alcançaram o estágio 2. Vale lembrar que são as decisões humanas que mudam o rumo da história, impedindo que movimentos e regimes como os estudados cheguem ao poder. A escolha certa vai depender sempre da compreensão dos erros do passado por parte dos que detêm o poder político, econômico e social.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Resumo Texto nº 2
O autor afirma que as imagens familiares que nos remetem ao fascismo são perigosas pois podem induzir-nos a erros. A imagem do ditador-todo-poderoso, por exemplo, desvia nossa atenção de todos os que estiveram apoiando essa figura central. Um modelo mais atento teria que examinar as interações entre Líder e massa, Partido e sociedade. Da mesma forma, o anti-semitismo não é característica fundamental do fascismo. Nos primeiros tempos da Itália de Mussolini, o líder tinha a seu lado industriais judeus que lhe deram apoio financeiro.
Quanto ao regime ser anticapitalista e antiburguês, podemos perceber uma grande diferença entre o discurso e a prática. As ameaças contra o capitalismo não se fizeram cumprir, enquanto que as ameaças ao socialismo foram postas violentamente em prática. Proibiram greves e investiram maciçamente nas indústrias armamentistas. Devido a essa grande variação de discurso, alguns estudiosos pensam o fascismo como forma radical de anticapitalismo, enquanto outros acham que ele veio socorrer o capitalismo.
O discurso anticapitalista era seletivo. Criticavam as finanças especulativas internacionais, porém não mudaram a hierarquia social e respeitaram os produtores nacionais. O materialismo e a indiferença com a nação foram os alvos principais da crítica anticapitalista. As denúncias antiburguesas recaíam sobre seu caráter individualista, impedidor do fortalecimento da nação. As mudanças “revolucionárias” do fascismo residiram na transformação da prática da cidadania, na reformulação das fronteiras entre público e privado, na renovação das relações entre indivíduo e coletividade, na ampliação dos poderes do executivo e no desencadeamento de emoções agressivas.
Havia um grande espaço entre o discurso de exaltação da vida rural e a modernização acelerada. Para entender essa oposição, é necessário “acompanhar a relação entre a modernidade e o fascismo ao longo de sua complexa trajetória histórica. Os primeiros movimentos fascistas exploraram os protestos das vítimas da industrialização rápida e da globalização” (p. 31), usando técnicas modernas de propaganda. Inúmeros intelectuais “modernistas” achavam interessante a combinação da aparência hightech e a crítica às sociedades modernas. O que realmente procuravam era a uma modernidade em que não houvesse tensões, dependente portanto da integração e controle fascistas. Para o autor, a modernidade alternativa fascista também foi responsável pela “limpeza étnica” nazista, baseada na eugenia e na racionalidade que parecia rejeitar a moralidade.
As imagens pecam por enfocar momentos grandiosos e omitir o cotidiano, a cumplicidade das pessoas comuns e das elites tradicionais que permitiram seu funcionamento. Talvez ser complacente com o regime significasse ter que fechar os olhos para alguns excessos aparentemente inofensivos. Os episódios da Kristallnacht, por exemplo, geraram grande indignação por parte de muitos alemães, mas foi passageira. É a partir do entendimento de como o sistema judicial, as autoridades religiosas e os civis consentiram em deixar uma minoria militante praticar tantos atos brutais é que saberemos o quê foi o regime fascista na Alemanha.
A maioria das pessoas pensa que o fascismo é uma ideologia. Os líderes mesmo afirmavam isso (Mussolini e seu “credo fascista”, Hitler e sua “visão de mundo”). No entanto, o fascismo não se baseia em nenhum sistema filosófico de algum pensador sistemático, como nos “ismos”, “e sim no sentimento popular sobre as raças superiores, as injustiças de suas condições atuais e seu direito a predominar sobre os povos inferiores” (p. 38). Não dependia da verdade, mas da união mística do líder com o seu povo eleito, do desejo deste de deixar-se levar pelos interesses do grupo. Não havia necessidade de um programa imutável ou de uma doutrina. Interessava era que os fiéis amassem, e não que concordassem intelectualmente com o regime. No entanto, não se deve deixar de lado suas raízes ideológicas. Os intelectuais dos primeiros tempos possibilitaram imaginar o fascismo, pondo em marcha a idéia de que não era somente a esquerda que podia ajudar os necessitados.
Paxton afirma, por fim, que as definições são limitantes, e é por essa razão que deixa de lado, pelo menos inicialmente, o objetivo de definir. Sua estratégia é observar a trajetória como uma série de processos. Em face dos diferentes fascismos que ocorreram, em razão dos particularismos culturais de cada nação, e da dificuldade de defini-los, apresentam-se três reações ao termo fascismo. Alguns acadêmicos negam seu significado, defendendo cada um como fenômeno separado. Outros aceitam sua variedade, compilando-a em suas múltiplas formas. O terceiro enfoque seria o de estabelecer um “tipo ideal”. Segundo o autor, os três tipos são inadequados, por hora, para definir a nova política que emergiu no início do século XX. Assim, propõe estudar o fascismo em um ciclo de cinco estágios (criação dos movimentos, enraizamento no sistema político, tomada do poder, exercício do poder e escolha pela radicalização ou pela entropia), que permitirão examinar os movimentos e regimes em seus diferentes estágios de evolução.
domingo, 23 de março de 2008
Resumo Texto nº1
O
Foi dessa
Foi
Teixeira
1. O antiliberalismo e antiparlamentarismo
O
A
2. O
O
O
Do
3.
A
O
Regulamentação das
4. A
Ao
O
O
O